23 de abril de 2012

Da série Post

Facebook-me

No que estou pensando agora? Naquilo que jaz atrás da tela.
Não sei se o que digo é para poucos, é público ou restringe-se aos amigos (menos os conhecidos). Mas, se alguém não curtir, fico assim, meio download em minha carência.
No Face que faço, meu book tem páginas em branco e outras nem estão disponíveis.
Receio ingênuo de que me resguardo.
Sem aplicativos, nem solicitações... apenas um simples post para qualquer um saber que existo... mas não insisto, caso a vida me bloqueie. Daí, deleto-me de suas redes de intrigas.

27 de janeiro de 2012

Da série Carência

Na boca do povo


Fala de mim, sua besta. Você queria que eu fosse diferente. Fui. Disse que tinha de marcar a vida com algo impactante. Tá feito. Agora elogia, diz que sou o máximo, vai? Preciso de seu maldito aval para me achar importante... ou quase.
Se você me sorri, o mundo se abre. Se você me olha de lado, o chão se escancara.
Então, sussurra em meu ouvido o que você nunca disse: como sou especial, maravilhosa e única.
Vai! Fala! Cansei de esperar a sua aprovação. Fartei-me de sua reprovação.
Nunca está bom, nunca é assim, nunca... nunca... nunca...
Por que não diz logo que, na verdade, não tem outra como eu?
Que sou a mais super de todas? Que meu corpo é incrível, minha pele macia, minha boca carnuda, meios seios lindos... fala, desgraçado! Não adianta me olhar com essa cara morta e achar que está tudo bem!
Eu quero ouvir. OUVIR, entendeu?
E só quando você me convencer que não há nada melhor no mundo do que me ter, sossego... descanso... e vou ao seu encontro seja lá onde estiver agora: no céu ou no inferno... amém!

26 de janeiro de 2012

Da série Tempo

Instante

Naquele exato minuto em que ele fechou a porta e foi embora para sempre, um terremoto abalou a cidade, do outro lado do mundo. A bola entrou no gol e o time caiu para a terceira divisão. Deu-se o último suspiro da mulher doente. A criança chorou. A estátua foi derrubada por vândalos. Uma bala perdida fez outra vítima. O ônibus passou sem parar para o cadeirante. A noiva disse sim. O chefe disse não à promoção. Acabou a luz. Voltou a água. Acordou. Dormiu, enfim. Abriu a champagne. Fechou o carro com a chave dentro. Levou um pé na bunda. Pediu ela em namoro. Deu um tropeço. Passou uma rasteira. Tomou uma overdose. Foi ressuscitado...
O minuto que o destino concedeu. O instante em que tudo pode mudar. Ou não... enquanto a vida passa.

3 de janeiro de 2012

Da série Ciclo

A arte do encontro

Mudar de foco às vezes cansa. Faz a mente se desmentir a cada ato falho. Já se pegou querendo estar na natureza, ter paz, sossego e, quando se vê diante de tudo isso, sonha com pessoas, carros e correria? Vício!
Já se sentiu como vaca pastando o dia todo sem saber pra que nem por quê?
Na hora em que o sol se vai, faltaram-te forças para seguir os pássaros que, em bandos, voltam para casa como se tivessem encerrado o expediente?
Pois aí está porque mudar de foco. Quando a alma se sente preenchida de outros tantos, não tem avesso.
O sol nasce e você se sente quente, começando a avermelhar.
Daí chega a brisa morna e, mesmo tão calma, consegue remexer você todo por dentro.
Quando o galo canta parece que é eco da sua força, guardada no peito, entre tantos "senões".
O verde passa a não ser só verde. Ele traça figuras e colore cada parte de sua retina - que só você vê.
O cheiro do mato é mais que o exótico aroma de uma tarde de verão. Transforma-se no seu oxigênio pessoal - e intransferível.
A chuva, que cai forte ou lenta, não significa fim do passeio ou preguiça ruim. Ela bate na janela e muda o ritmo de seu coração, totalmente integrado às gotas, numa paciência que molha tudo o que é mágoa e seca qualquer lágrima meio perdida.
Cada detalhe não é mais mero detalhe. A borboleta revela movimentos que você nem sabia-se capaz de imitar. E deixa braços e pernas sobre a terra, como em sonho, de tão leve que o pensamento voa - e ecoa.
As nuvens formam castelos, ovelhas, mas o que te encanta é aquele azul ao fundo, que se revela entre elas, como um caminho infinito no qual não cabe o nunca mais.
Tudo é novo quando se alcança o sossego. Não basta mais explicar, dizer, argumentar. É preciso sentir. Como se a vida não tivesse o que mostrar por ela só. Agora é a sua vez de descobrir o que ficou escondido enquanto se desassossegava dia e noite, correndo atrás do rabo, cansado de não saber mais de você.
Que bom que um novo ano começa. Não porque é novo, porque, de fato, não é. É apenas mais um tempo que reúne 365 dias. Podiam ser 500, 200... não importa. O que vale é que cada dia se faz tão pleno que chega a representar um século inteiro, tamanho o prazer de reencontrar-se. Reflexo de um amor de você por você mesmo. Muito além, muito acima, muito mais...feliz 2012!

15 de dezembro de 2011

Da série Ciclo

Por quem os sinos dobram?

De novo é Natal.
Por alguns dias o mundo fica menos imundo.
Mas aproveitem, porque passa rápido.
Não que tudo mude, mas esse tudo cabe embaixo do tapete.
As mentes mentem menos. Os sem caráter usam máscaras.
Mas, aproveitem! É só por alguns dias!
Depois, tudo volta ao seu lugar desarrumado.
As roubalheiras continuarão, assim como a falta de compaixão e crueldade.
Sacanagens, falta de ética, injustiças, preconceito, violência....
É assim o ciclo. Então, me pergunto: por quem os sinos dobram?
Mas, quando as badaladas se encerrarem, retornaremos à paciente hipocresia de reler nas manchetes tudo de novo, sem pontos ou vírgulas outros, num repeteco massificante.
Até quando? Até o próximo Natal.
Então, aproveite... são só alguns dias... enquanto os sinos tocam.

23 de outubro de 2011

Da série Reflexões

Juventude

Vai demorar pra você descobrir que já fui. Por teimosia sua.
Primeiro vem a negação, tentativas de simular que estou contigo.
Mas, não é mais assim. Entenda!
Você devia aceitar. É mais digno.
Porque no meu lugar não fica o vazio, mas tanta coisa aprendida, tantos momentos especiais... que não caberão nesse seu velho corpo, mas me farão companhia em sua alma, onde agora resido. Para sempre.

Da série Impressões

Cheiro verde

Aqui a chuva cheira tão forte que engana os passarinhos.
Pensam que sempre é Primavera, porque o mato e as flores são perfumes dos temporais.
Perdem-se entre as gotas, ora ralas, da garoa, ora intensas, lágrimas que a Natureza despenca, sem qualquer pudor.
E a vida segue nesse aroma que dispensa perfumes outros.
Cheiro de tarde eterna e noite lenta, cravada de pontinhos brilhantes, amaciantes do firmamento.