22 de dezembro de 2009

Da série Meu garoto!!!


Calouro

Hoje eu sei como é a emoção de ver o filho entrar na faculdade.
Eu já estive do outro lado: descobrir-me na lista dos aprovados. Essa emoção eu conheci bem. E foi uma das maiores de minha vida. Fora a surpresa armada pelos meus pais que souberam antes de mim (meu tio trabalhava na área e teve acesso à lista antes dos jornais - há 29 anos, algo como internet só era concebível em filmes de contatos sei lá de que grau).
Meu pai colocou uma faixa (feita de papel higiênico Primavera - o melhor na época) com os dizeres: Caloura da USP.
Eu quase cai dura. 'Verdade? Vocês 'tão brincando, né?' Não.... era a mais pura verdade, regada à sidra Cereser, que meu pai tirou da geladeira e abriu todo orgulhoso. Eu tinha 17 anos. E aquilo me soava tão estranhamente emocionante... como seria 'ir pra faculdade? O que afinal eu faria lá? Uma extensão dos bancos da Escola Estadual de Segundo Grau Brasílio Machado? E a turma nova? Os professores...seriam legais?' As questões eram as mesmas de cada ano letivo que se iniciava, em toda a minha trajetória escolar. Minha ingenuidade foi perdendo força logo nos primeiros meses de ECA. E descobri tanto mais da vida, de mim, daquilo que eu queria ser... foram quatro anos que me pareciam séculos. Contato com coisas que eu jamais imaginei possíveis. Eu lendo O Capital! Pode?! Eu nas passeatas e greves! Pode?! Eu na feira livre tirando fotos para a disciplina Foto Reportagem e depois revelando uma a uma no laboratório da faculdade. Eu tomando o circular com as prostitutas que trabalhavam na entrada do campus.  Eu no Rei das Batidas, cabulando a última aula. Eu chegando em casa todo o dia à meia noite...
A emoção de entrar na faculdade começou naquela tarde, em casa, celebrada com sidra, e se prolongou até 1984, quando me formei.
Ontem retomei essas sensações, mas no lugar de meus pais. Olhei o meu guri alto, barba por fazer, meio pálido ainda pelo porre de exames feitos - que ainda continuarão na segunda fase da Fuvest - e me emocionei demais.
O mais legal é que quem viu primeiro o resultado fui eu...assim como meus pais. E graças a internet - que saiu dos filmes de ficção e hoje mora em nossas casas. Estava checando as notícias e li uma das manchetes: 'PUC antecipa a lista de aprovados'. Gelei! O coração acelerou! Entrei no link e vi o nome do meu-não-mais-pequeno figurando entre outros. É uma coisa louca de se sentir. Como se uma parte essencial de mim, assonada, acordasse para a vida, saísse da mesmice e vibrasse como as cordas tensas do violão. Eu me senti meio deusa, meio humana, porque vi a minha cria alcançando mais uma vitória.
Não foi apenas a vitória de sair do ventre e encarar o mundo além da vagina. Nem se esgotou nas engatinhadas tortas ou nos primeiros passos bambos. Muito menos parou nas palavrinhas monossilábicas como 'dá', 'qué', 'mã'... ou na dor cortante dos dentes nascendo. Não... a minha cria tem mais força, mais determinação, mais desejo e garra. É isso que percebi claramente. Eu também passei por tudo isso e fui além: abri caminho para que Gabriel pudesse colher suas conquistas. Sei que um dia meu filho sentirá o que eu sinto e que foi a mesma sensação vivida pelos meus pais - que abriram os meus caminhos num tempo em que era preciso ser trator!
É esse ciclo que alimenta o mundo, a alma... o futuro. Continuemos, pois!
Feliz 2010 para você!

2 comentários:

Cristina Ancona Lopez - Tita disse...

Mari,
tá linda esta emoção. É muito forte mesmo!
BEijo nele e em você, de muitos parabéns e que o novo caminho seja cheio de alegrias,
Beijo,
Cris

Nai disse...

Q lindo Mari!!!!

Parabéns pro Gabriel!!!!